A leitura foi a minha primeira paixão
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Irene Mafalacusser, primeira mulher a conquistar o Prémio Literário Carlos Morgado
TEXTO DE GENÉZIA GERMANO
Amante da leitura desde a infância. Irene Mafalacusser descobriu nos livros um espaço para conhecer outros mundos, compreender sentimentos e encontrar palavras para aquilo que nem sempre conseguia explicar. Hoje, é escritora, poetisa e engenheira de construção civil.
A leitura, paixão que descobriu ainda cedo, colocou o seu nome entre as novas vozes da literatura moçambicana, depois de conquistar a 4.ª edição do Prémio Literário Carlos Morgado. Natural de Maputo, Mafalacusser venceu o certame com o conto “A Mulher que Levou o Gado Consigo”, tornando-se a primeira mulher a conquistar o prémio desde a sua criação. No texto que a tornou vencedora, procurou transmitir a beleza e a sensibilidade humana a partir do quotidiano. Para Irene, a conquista chegou com “muita gratidão e humildade”.
Mais do que uma realização individual, considera que o reconhecimento representa também a presença feminina num espaço onde as mulheres podem afirmar-se através da literatura. “Foi muito especial, não só pelo prémio em si, mas também por ser a primeira vez que uma mulher consegue conquistar este prémio”, disse.
Para além de escrever contos, também dedica-se à poesia e prosa, explorando questões sociais, memórias, afectos, identidade e diferentes formas de permanência humana.
O reconhecimento do júri,ligado ao universo literário, teve para si um significado especial. Mais do que confirmar uma conquista, abriu-lhe perspectivas para maiores vitórias.
A ENGENHARIA E AS PALAVRAS
À primeira vista, a Engenharia e Gestão da Construção Civil e a literatura parecem seguir caminhos diferentes. Para Irene, porém, as duas áreas fundem-se na construção das suas ideias. “Na engenharia, tenho o objectivo de construir pontes físicas. Mas, com a literatura, eu construo pontes literárias”, explica.
A engenharia é uma profissão que exerce com paixão, mas a escrita ocupa um lugar que ultrapassa o conceito de passatempo. Para Irene, escrever tornou-se uma necessidade de transformar em palavras aquilo que vive, observa e sente.
A formação em engenharia também influencia a sua escrita, sobretudo, pelas experiências e pelo contacto com diferentes pessoas. A profissão permite-lhe conhecer indivíduos de vários lugares, com diferentes formas de pensar e interpretar a realidade. .Leia mais…




