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Moçambique soma três trimestres positivos

A economia moçambicana cresceu pelo terceiro trimestre consecutivo, ao avançar 1,7% entre Abril e Junho, depois de ter atravessado quatro trimestres seguidos de contracção na sequência da crise pós-eleitoral.

Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram uma aceleração em relação ao início deste ano. O Produto Interno Bruto tinha crescido 0,1% no primeiro trimestre.

A mudança de tendência começou nos últimos três meses de 2025, quando a economia cresceu 5,1%. O resultado pôs fim a quatro trimestres consecutivos de contracção.

A sequência negativa começou depois das eleições gerais de Outubro de 2024 e acompanhou os protestos pós-eleitorais, que provocaram mortes, destruição de infra-estruturas e interrupções na actividade de empresas.

A recuperação iniciada no final do ano passado atravessou entretanto outro choque. As cheias de Janeiro afectaram cerca de 724 mil pessoas em Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala, Manica e Zambézia.

Em Julho, o Governo reduziu de 2,8% para 0,59% a previsão de crescimento económico para este ano, atribuindo a revisão aos efeitos das inundações.

No segundo trimestre, foram os serviços que mais cresceram. O sector terciário avançou 2,5%, com Hotéis e Restaurantes a registarem uma expansão de 14,5% e os Serviços Financeiros de 4,2%.

O sector primário cresceu 1,8%. Agricultura, Pecuária, Caça, Silvicultura e Exploração Florestal avançou 2% e a Indústria Extractiva 1,7%.

A agricultura mantém o maior peso na economia, com 31,6% do PIB. A Indústria Extractiva representa 15%, Transportes, Armazenagem e Comunicações 8% e Comércio e Serviços de Reparação 7,3%.

A indústria não acompanhou a recuperação. O sector secundário caiu 6%, arrastado pela contracção de 11,2% da Indústria Transformadora.

A Electricidade, Gás e Distribuição de Água cresceu 7,1% e a Construção 0,8%.

O consumo final aumentou 7,9%, resultado de uma subida de 8,4% no consumo privado e de 6,5% no público. As exportações cresceram 5,1% e as importações 3,1%.

A formação bruta de capital recuou 16,5%. A economia chega, assim, à segunda metade de 2026 com três trimestres consecutivos de crescimento, mas com comportamentos diferentes entre os sectores: serviços e agricultura expandiram-se entre Abril e Junho, enquanto a indústria transformadora permaneceu em contracção.

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