"É um privilégio ser o único treinador negro da Premier League"
Nuno Espírito Santo concedeu, esta quinta-feira, uma extensa entrevista à estação televisiva britânica BBC Sport Africa, na qual disse ser “um privilégio” e “uma honra” ser, neste momento, o único treinador negro no ativo, em todo o principal escalão do futebol inglês, desvalorizando as teorias de preconceito
“”Eu penso que há vários treinadores negros com talento, que, em breve, podem estar envolvidos na Premier League. Muitos deles vão ter boas temporadas, e vão estar disponíveis”, afirmou o sucessor de Graham Potter no comando técnico do West Ham, assumindo, ainda assim, que “é sempre necessário chamar a atenção das pessoas para a questão da subrepresentação das minorias na competição.
“A diferença entre nós não é algo para o qual os treinadores olhem. Eu não acredito nisso. É graças ao vosso talento, é graças ao vosso trabalho árduo e é graças a um projeto que vocês lançaram bem que as pessoas estão à procura de contratar”, acrescentou o antigo guarda-redes, de 51 anos de idade.
“Um dia, irei voltar a São Tomé e Principe”
Pese embora tenha chegado a representar as camadas jovens da seleção portuguesa, a verdade é que Nuno Espírito Santo nasceu em São Tomé e Príncipes, algo que o próprio garante não esquecer: “A vida era bela. Eu vivia perto do mar. Na minha família, viviam perto uns dos outros. Sinto saudades de viver lá”.
“Faz-te sentir humilde, quando visitas São Tomás. Vês como são as pessoas pobres, as pessoas que estão em dificuldades, e é por isso que nós somos privilegiados por termos tudo aquilo que queremos”, começou por apontar.
“Eu tive o privilégio de ter alguns treinadores africanos a fazerem algumas semanas de treino e de observação comigo, em vários clubes, e fiquei impressionado com a qualidade do trabalho deles. Fiquei impressionado pelo conhecimento que eles já tinham adquirido”, prosseguiu.
“Eles vieram para cá, para Inglaterra, para tentarem aprender connosco, mas eles têm muitas coisas boas a ensinar-nos, porque o futebol africano é muito especial, ao nível da liberdade, ao nível do talento, ao nível da individualidade”, concluiu.
A terminar, Nuno Espírito Santo deixou uma promessa: “Um dia, irei voltar [a São Tomé e Principe], para tentar influenciar os treinadores, para tentar passar-lhes alguma da minha experiência e partilhar o meu conhecimento”.
O percurso de Nuno Espírito Santo
Guarda-redes de formação, Nuno Espírito Santo deu os primeiros passos no mundo do futebol nas camadas jovens de Santoantoniense, GD Quimigal, Os Torreenses e Vitória SC, tendo sido, precisamente, nos vimaranenses que teve a oportunidade de se estrear ao mais alto nível (com um empréstimo ao Vila Real pelo meio).
Daí em diante, somou passagens por Deportivo, CP Mérida, Osasuna, FC Porto, Dínamo Moscovo e Desportivo das Aves. Em 2007, regressou aos dragões, onde passou aquelas que foram as três últimas temporadas da carreira. Curiosamente, voltaria ao clube, uma vez mais, em 2016, desta feita, na qualidade de treinador.
Enquanto timoneiro, registou, ainda, ‘aventuras’ por Rio Ave, Valencia, Wolverhampton, Al-Ittihad Jeddah, Nottingham Forest e, agora, West Ham.
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