ANÁLISE: Dez anos de Rogério Zandamela: estabilizou-se a moeda, mas quem pagou o preço da estabilidade?
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Por Yasser Arafat Dadá, pesquisador
Ao aproximar-se uma década de Rogério Zandamela à frente do Banco de Moçambique (BdM), o país precisa de fazer um balanço honesto. Zandamela recebeu uma moeda em queda, inflação, reservas pressionadas, bancos fragilizados e uma economia traumatizada pelas dívidas ocultas.
Dez anos depois, entrega um Metical aparentemente estável e uma inflação relativamente baixa, mas também uma economia com crédito escasso, taxas de juro proibitivas, empresas sufocadas, falta de divisas e um sistema financeiro cada vez mais inclinado a financiar o Estado, em vez de financiar quem produz.
A grande questão, portanto, não é saber se Zandamela estabilizou a moeda. É saber quanto custou essa estabilidade, quem pagou a factura e se o remédio monetário acabou por se transformar numa doença económica. Rogério Lucas Zandamela foi nomeado Governador do Banco de Moçambique em 1 de Setembro de 2016 e reconduzido para um segundo mandato em 2021. Chegou num dos momentos mais delicados da história económica recente do país.
A revelação das dívidas ocultas provocara a suspensão do apoio financeiro de parceiros internacionais, a confiança externa desmoronara-se, o Metical depreciava-se rapidamente e a inflação atingiria cerca de 27 por cento em Novembro de 2016.
A economia moçambicana enfrentava uma crise cambial, de credibilidade do Estado, das suas estatísticas, das suas garantias soberanas e da própria arquitectura institucional que deveria ter impedido o endividamento ilegal.
Foi neste contexto que Zandamela adoptou uma política monetária fortemente restritiva. O Banco de Moçambique elevou taxas de juro, restringiu a liquidez e procurou aumentar a procura pelo Metical. O Fundo Monetário Internacional reconheceu que o aperto monetário iniciado em Outubro de 2016 contribuiu para estabilizar a taxa de câmbio e reequilibrar o mercado cambial. .Leia mais…




