SOCIEDADE

Sobreviventes do asfalto

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Cerca de seis mil casos de acidentes de viação são registados anualmente no Hospital Central de Maputo

TEXTO DE GENÉZIA GERMANO

Lesões que nem o tempo consegue sarar. Marcas deixadas por acidentes de viação que alteram, de forma violenta e permanente, a vida das vítimas. Muitos sobrevivem, mas não voltam à normalidade. As cicatrizes no corpo são apenas a parte visível de um sofrimento que se estende à alma, onde o trauma e a lembrança do impacto permanecem vivos.

No Departamento de Ortopedia, o relógio marca as horas, mas o tempo parece lento, pesado e cruel. A dor que os doentes sentem não é apenas física; é emocional, com impacto variado na esfera social e económica. Dela deriva a frustração de não poder trabalhar, de depender de outros e ver os sonhos adiados ou destruídos.

Alguns sobreviventes contam os dias pelos tratamentos, outros pela visita de um amigo ou de um familiar. Há quem se agarre a pequenas rotinas, como o toque de um telefone ou a chegada de comida, para sentir que, apesar de tudo, a vida continua.

Por detrás dos números, existem histórias de luta, perda e de sobrevivência. Nos últimos trinta dias, mais de 500 vítimas de acidentes de viação deram entrada no Hospital Central de Maputo (HCM).

São parte das vítimas dos 481 acidentes registados nos últimos nove meses no país que deixaram não só feridos, mas também óbitos.

O panorama sombrio reflecte o cenário dos anos anteriores em Moçambique. De 2023 a 2025, as estatísticas indicam perdas, mutilações e famílias destruídas.

Em 2023 registaram-se 668 acidentes de viação que resultaram em 754 mortos. O ano seguinte foi ainda mais cruel: 687 acidentes e 825 óbitos, um aumento que traduz a persistência de um drama nacional. Leia mais…

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