INTERNACIONAL

Reconhecimento “massivo” da Palestina: remorso histórico ou puro realpolitik?

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Num gesto simbólico à margem da última Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada semana passada em Nova Iorque, uma dezena de países reconheceram formalmente, a contragosto de Israel e dos EUA, o Estado da Palestina. É um movimento diplomático que está a ser celebrado por muitos em todo o mundo, pois se acredita ser um passo “gigantesco” rumo a se fazer justiça para o povo palestiniano. Ainda assim, a real motivação desse reconhecimento “massivo” permanece em debate. Estarão os novos “reconhecedores”, significativamente da Europa, a ser movidos por um remorso histórico, por terem participado no colonialismo e na criação desigual do Estado de Israel, ou trata-se de uma manobra geopolítica inserida numa lógica de realpolitik, que visa o alcance de objectivos estratégicos como influência regional, equilíbrio diplomático e alinhamento com o Sul Global?

Depois de um “coro global” favorável a Israel, em solidariedade com os acontecimentos de 7 de Outubro de 2023, em que o Hamas fez uma incursão terrorista contra o Estado judeu, o mundo parece estar a virar as costas a Tel Aviv. Na semana passada, dez países, nomeadamente França, Luxemburgo, Malta, Mónaco, Bélgica, Andorra, Reino Unido, Austrália, Canadá e Portugal, anunciaram formalmente o reconhecimento do Estado palestiniano. Este anúncio ocorre depois de outros dez países terem feito o mesmo entre Abril de 2024 e Março de 2025. São eles México, Arménia, Eslovênia, Irlanda, Noruega, Espanha, Bahamas, Trindade e Tobago, Jamaica e Barbados. Esta onda de reconhecimento é massiva se tivermos em conta que, em mais de sete décadas, 137 Estados reconheciam a Palestina e, em menos de dois anos, duas dezenas de Estados se juntaram à onda de reconhecimento. Ao que tudo indica, a guerra genocida que Israel está a mover contra os palestinianos está a produzir o efeito de a comunidade internacional se juntar à causa palestiniana. Leia mais…

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