Para onde vão os alimentos que não chegam à mesa?
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FOTO DE CARLOS UQUEIO
É princípio da tarde. O movimento no Mercado Grossista do Zimpeto é intenso. Camiões carregados de repolho, laranjas, tomate, batata, cebola, pimento, entre outros produtos alimentares perfilam no interior do recinto. São – na sua maioria – pertencentes a agricultores singulares. Este mercado recebe em média 150 camiões por dia. Só para exemplificar, nesta época do ano entra diariamente uma média de 50 camiões de tomate; 20 de repolho e 10 de pimento. Chegam ao local nas primeiras horas da manhã para fornecer os produtos, e por ali permanecem até terminar a venda, processo que para finalizar o mais rápido possível exige muito “jogo de cintura” e estratégia de marketing.
No entanto, à semelhança de muitos mercados no país, como o retalhista do Fajardo, onde os contentores de lixo se encontram repletos de alimentos desperdiçados, o “Grossista do Zimpeto” não possui condições ou infra-estruturas preparadas para garantir a conservação desses produtos. O frigorífico ali instalado há alguns anos para conservação de alimentos não é adequado, sobretudo para frutas e legumes, pelo risco desse acelerar a sua deterioração devido ao choque térmico, acrescido ao facto de os camiões não possuírem sistemas de refrigeração adequado para a conservação dos produtos.
Por outro lado, além do factor climático, a qualidade dos produtos, a oscilação do preço, entre outros, têm contribuído para que o negócio nem sempre saia conforme as expectativas dos agricultores que abastecem o mercado. No final do dia, a consequência desta realidade resume-se num contra-senso: Leia mais…












