“A viagem do olhar” de Albino Mahumana
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A radiografia da nossa vivência também aparece em forma de arte: o nosso estilo de vida, a nossa forma de vestir; o que temos feito logo pela manhã quando acordamos.
A mulher, ahhhh… as mulheres que vão à busca de água e, por essas fontes, permanecem horas a fio; estórias que fertilizam a mente do artista e abrem espaço para revelações complexas onde são exibidas realidades paradoxais típicas da vida, que é bela e ao mesmo tempo feia.
Ora, a mulher está presente nas criações de Albino Mahumana, em uma, duas, três… naquela onde o traço criterioso ilustra uma guerreira levando uma criança ao colo, trabalhando, suando, sofrendo para garantir o bem-estar dos seus. O criador explica os seus contornos: “a mulher tem sido uma pessoa muito invisível, mas que carrega muita coisa por detrás disso. Ela suporta o próprio homem; suporta os filhos, toda a família”.
Ela exerce funções mais pesadas quando comparada com indivíduos do sexo masculino, “que saem de casa pela manhã, vão ao serviço e quando regressam só querem saber se tem comida à mesa. Esquecem-se que a mulher lava a roupa de todos, do marido, dos filhos; cuida da casa, arruma, cozinha. Então, as minhas obras reflectem um pouco disso, a parte invisível da mulher que chamamos de doméstica, mas na verdade ela trabalha Leia mais…











