Reforma na Justiça? "Não acredito neste nem noutro Governo", diz Rui Rio
O antigo presidente do PSD, e principal líder da oposição quando António Costa era primeiro-ministro, Rui Rio, afirmou na noite desta sexta-feira que não acredita neste, ou em qualquer outro, Governo para levar a cabo uma reforma da Justiça.
“Não é tanto não acredito neste Governo. Não acredito neste nem acreditaria num outro. Não acredito que em termos políticos, nas circunstâncias que vivemos, que haja coragem para o fazer”, confessou Rui Rio em entrevista à SIC Notícias.
O antigo presidente do PSD comentava a situação conhecida ontem, através de uma notícia do Diário de Notícias, de que António Costa teria sido ouvido em 22 escutas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), de forma indireta, sem o conhecimento ou autorização do Supremo Tribunal de Justiça (STJ).
A PGR admitiu esta sexta-feira que, “por razões técnicas”, estas escutas tinham sido omitidas, mas reconheceu a existência de apenas sete.
Rui Rio – que tem sido um fervoroso apoiante de uma reforma na Justiça – deixou ainda uma crítica dura à ministra desta pasta, que, horas antes, tinha pedido aos portugueses para confiarem nas instituições.
“A ministra da Justiça ao dizer isso que disse é o equivalente ao que dizia o Dr. António Costa há uns anos: ‘à justiça o que é da justiça, à política o que é da política’. São frases feitas que significam que não queremos dizer nada e que não queremos fazer nada, queremos que continue tudo na mesma”, atirou.
Para Rui Rio, esta situação é “mais do que uma ilegalidade”: Foi cometido um crime” e “gravíssimo”.
“Durante cinco anos o Ministério Público (MP) sabia e não fez nada […] e manteve essas escutas sem dar conhecimento ao presidente do STJ”, sublinhou.
Parágrafo que derrubou Governo? “Muito provavelmente…”
Rui Rio foi mais além e considerou que o parágrafo que levou António Costa a demitir-se do cargo de primeiro-ministro pode ter tido como base estas escutas, supostamente, ilegais.
“Pior ainda: aparece aquele parágrafo que derrubou o governo – que obrigou o primeiro-ministro a demitir-se, e percebemos agora que muito provavelmente esse parágrafo foi escrito com base nas tais escutas que eram proibidas”, afirmou.
“E eu pergunto, quem é que vai abrir a investigação aos procuradores, ou à procuradora, que cometeu este crime?”, questionou. “E se abrir, vai ser um inquérito que vai ser feito da forma que foi feita a todas as pessoas, ou vai ser feito com o toque coletivo para tentar esconder alguma coisa?”
Perguntado sobre os esclarecimentos dados pela PGR, Rui Rio mostrou-se cético.
“Eu vou ser sincero, o MP dá as explicações que quiser dar, é preciso é que nós tenhamos condições para acreditar”, frisou. “E face a tudo que se tem passado ao longo dos últimos anos em Portugal, eu tenho muita dificuldade em acreditar no MP”, admitiu.
Pelo menos sete escutas que envolvem António Costa não foram comunicadas ao Supremo Tribunal de Justiça por “razões técnicas”. A situação gerou indignação e pedidos de esclarecimento de várias figuras políticas.
Carolina Pereira Soares | 19:02 – 21/11/2025
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