INTERNACIONAL

Reality shows em Portugal? "Novela com um guião que tem pouco de verdade"


O Secret Story 9 tornou-se o assunto do momento, uma vez mais, depois de na gala de domingo, 23 de novembro, ter sido expulsa a concorrente Marisa Susana. Para muitos a participante era uma das maiores candidatas à vitória, pelo que a sua expulsão deixou todos surpreendidos.

A saída de Marisa Susana mostrou, uma vez mais, a força das teams e de quem tem dinheiro para votar e salvar os seus favoritos. Este facto está a gerar uma onda de indignação que se estendeu ao escritor Pedro Chagas Freitas. 
“Acho que vou deixar de ver reality shows. Pelo menos os portugueses. Não reconheço ali qualquer ligação à realidade. É tudo cada vez mais encenado, mais artificial, mais construído à volta de uma narrativa que dê jeito. Não há pessoas; há arquétipos. O casal que serve para alimentar o romantismo barato, os conflitos que garantem cliques, a vítima útil que mobiliza audiências piedosas. É um teatro pobre, sustentado pela crença de que o público tem memória curta e uma tolerância infinita para a repetição”, começou por escrever o escritor. 
“Há uma outra perversão que não suporto: a do voto pago. Não é o país que decide, não é a sensibilidade colectiva ou o julgamento público; é a carteira dos grupos organizados, uma milícia digital que compra permanências. Quem paga mais vence. A suposta democracia do entretenimento transforma-se num simulacro sem interesse nenhum. O resultado não é expressão de preferência, o jogo deixa de ser jogo; torna-se numa operação comercial com uma camada decorativa de emoção. O ódio é permitido, até alimentado; o preconceito que aparece por lá não é aproveitado para ensinar. Normalizam-se maus-tratos, humilhações; transformam-se comportamentos inaceitáveis em conteúdo. Nada é usado para aprofundar, para entender, para dar complexidade ao enredo. Tudo é usado para vender. O importante é que haja votos”, continuou.
Pedro Chagas Freitas comparou ainda a realidade dos programas em Portugal e no Brasil, nomeadamente no que refere aos sistemas de votações. 
“No Brasil, por exemplo, vota-se sem pagar. Metade dos votos exige CPF [identificação] (uma pessoa, um voto) e a outra metade permite o delírio dos fandoms. É uma solução imperfeita, mas contém um vestígio de justiça. Em Portugal, começo a acreditar que não vale a pena. A realidade deixou de ser real, a competição deixou de ser competição. Eu via para compreender melhor a minha própria espécie, para me divertir com o jogo, com a complexidade tão grande de sermos humanos; percebo agora que talvez estivesse a assistir a uma telenovela com um guião que tem pouco de verdade. Se é para ver ficção, prefiro ver da boa”, completou.
Eis abaixo o texto completo:

Marisa Susana, concorrente do Secret Story, foi a menos votada e, consequentemente, expulsa da casa mais vigiada do país. A gala do programa ficou ainda marcada pela descoberta do segredo de Inês.
Notícias ao Minuto | 07:17 – 24/11/2025

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