Portugueses enfrentam perpétua por morte de emigrante na Figueira da Foz
O Ministério Público do Luxemburgo pediu que três portugueses suspeitos de matar um homem durante umas férias na Figueira da Foz, em 2021, sejam condenados a prisão perpétua.
O caso remonta a agosto de 2021, quando o corpo de Marco, emigrante português a residir no Luxemburgo, foi encontrado ao largo do rio Mondego, na Figueira da Foz. Menos de um ano depois, em março de 2022, quatro pessoas foram detidas: Rosa (namorada de Marco), Maria Clara (mãe de Rosa), João (namorado de Maria Clara e amante de Rosa) e Marco António (filho mais velho de Rosa).
Segundo a acusação, na noite de 3 de agosto, Marco foi envenenado com uma mistura de inseticida e licor e, posteriormente, levado ainda vivo para o rio Mondego, onde acabou por morrer numa combinação de envenenamento e afogamento.
O médico legista responsável pela autópsia confirmou no julgamento que Marco “estava vivo quando caiu da água” e “poderia ter sobrevivido apenas ao envenenamento”, mas não teve forças para lutar.
Emigrante português foi encontrado sem vida nas margens do rio Mondego, no ano de 2021. Autoridades viriam a concluir que fora vítima de um crime, organizado pela sua namorada, a sua sogra, o amante da sua mulher e ainda o filho mais velho desta.
Andrea Pinto | 09:40 – 30/10/2025
A acusação, citada pelo jornal local Virgule, alega que “Rosa foi a instigadora” e “força matriz” do crime, enquanto a mãe “foi quem teve a ideia do veneno”. João, por sua vez, terá misturado o veneno com o álcool.
Já Marco António, enteado de Marco, teve “um papel menos ativo”, apesar de estar “ciente da situação” e, por isso, encontra-se em liberdade. Agora, o Ministério Público pede a sua absolvição.
Em tribunal, Marco António contou que a mãe já lhe tinha que o companheiro não ia voltar das férias, mas não levou “a sério” porque Rosa “diz sempre esse tipo de disparates”. Na noite do crime, o jovem, atualmente com 27 anos, colocou a irmã mais nova a dormir e ainda viu os familiares sentados no terraço.
Mais tarde, acordou a meio da noite e viu Marco a cambalear pela casa e a vomitar. “Achei que fosse por causa do álcool”, explicou o filho de Rosa, acrescentando que ouviu, depois, o barulho de um carro.
Durante o julgamento, aponta o Virgule, os três portugueses envolvidos no crime apresentaram versões diferentes do que aconteceu e João chegou a acusar Rosa e Maria Clara de estarem a mentir. “Essas duas estão sempre a inventar”, atirou.
Também a irmã da vítima, que descreveu os quatro suspeitos como “monstros” e defendeu que deviam estar a “sofrer mais” do que o irmão, contou que Rosa “nunca fazia nada em casa” e que Marco “era escravo dela”.
Já uma antiga amiga de Rosa contou que a suspeita e Marco tiveram um bom início de relacionamento e que o homem “pagava tudo”. No entanto, tudo mudou quando Rosa começou a envolver-se com João.
Acredita-se que o crime – planeado no Luxemburgo e executado em Portugal – possa estar relacionado com o seguro de vida de Marco, que os três principais suspeitos pensavam valer entre 400 mil e 500 mil euros, mas, afinal, estava avaliado em 15 mil euros e já tinha sido cancelado.
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