INTERNACIONAL

Portugal deve usar IA para aumentar a produtividade, diz Fernando Pereira


Sobre o papel da IA em Portugal, Fernando Pereira salienta que esta é “uma tecnologia extremamente flexível que tem potencialidade enorme para aumentar a produtividade, tanto no setor público como no setor privado”.

“Há uma grande capacidade intelectual, científica, de engenharia em Portugal e, utilizando essas ferramentas, ou seja, as ferramentas que estão disponíveis de grandes companhias, que são desenvolvidas pelos próprios grupos de investigação, de identificar áreas de valor social, económico e aplicar a tecnologia, desenvolver a tecnologia em direções que permitam o aumento da produtividade”, sublinha.
Há dois anos o responsável, que é considerado uma das referências mundiais de IA, já tinha defendido que a “produtividade é a coisa mais importante para uma economia como a portuguesa”.
Fernando Pereira insiste na necessidade de aumentar a produtividade e reduzir a ineficiência de diversas áreas, nomeadamente na interação entre cidadãos e a Administração Pública, onde a tecnologia “pode ajudar a reduzir os fossos” entre as diferentes entidades.
“Dada a capacidade que se tem vindo a se desenvolver através da educação, das universidades, das novas empresas, startups”, entre outros, “em Portugal, faz sentido um foco de como é que a tecnologia pode identificar áreas de atividade económica, de atividade social, em que se possa aumentar a produtividade”.
Para um país como Portugal, “que não está na ponta da produtividade económica na União Europeia, identificar a maneira de utilizar esta nova tecnologia para acelerar a produtividade parece, para mim, a coisa mais importante”, defende.
Além disso, também criar novas oportunidades de produtos. Por exemplo, a IA está a ter cada vez mais influência no desenvolvimento de produtos farmacêuticos, diz.

O vice-presidente da Google DeepMind, Fernando Pereira, afirma, em entrevista à Lusa, que a inteligência artificial (IA) pode ser vista como uma extensão ou prótese da inteligência natural e que as duas não são exatamente comparáveis.
Lusa | 14:31 – 24/11/2025

Questionado sobre qual é a sua maior preocupação em termos de IA generativa, o vice-presidente da Google DeepMind salienta que é continuar a ter uma tecnologia que é diferente de muitas outras construídas anteriormente.
“Porque tem tal flexibilidade e tal capacidade que (…) as técnicas tradicionais de engenharia baseadas em ter equações e fazer modelos muito precisos”, por exemplo, engenharia eletrotécnica ou engenharia civil, não se aplicam, refere.
Em certo sentido, é uma tecnologia que é mais biológica, não no sentido da biologia real, mas no que diz respeito às complexidades e subtilezas.
Portanto, “a coisa que nos preocupa sempre é: será que nos está a falhar alguma perspetiva, que estamos a construir algo que tem comportamentos que nós não saibamos prever”, prossegue.
Por isso, “estamos constantemente a testar, a fazer testes cada vez mais extensivos” e “é por isso que um dos meus papéis nesta área é fazer perguntas”, remata.
O responsável sublinha ainda que a Google tem um conjunto de diretrizes para assegurar que a inteligência artificial generativa é desenvolvida de uma maneira responsável e alinhada com as necessidades humanas.
Fernando Pereira é um dos oradores do “Responsible AI Forum 2025”, que decorre na Fundação Champalimaud, em Lisboa, na terça-feira, onde vai abordar o tema “inteligência natural vs inteligência artificial” com o neurocientista António Damásio.
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