INTERNACIONAL

"Pensei que Sampaio da Nóvoa avançasse. Não foi o caso"


A candidata presidencial Catarina Martins sublinhou, esta sexta-feira, que desejava uma candidatura “agregadora” e que, se for eleita, fará aquilo que tem feito durante “a sua vida” política: encontrar soluções e juntar pessoas.

Questionada na RTP1 acerca de ser uma das caras mais conhecidas do Bloco de Esquerda e se esta era uma candidatura que podia servir para reanimar o partido, Catarina Martins reforçou que “esta candidatura é uma candidatura pessoal, não partidária”.
Na Grande Entrevista, Catarina Martins  disse que “estaria muito bem com uma candidatura que fosse agregadora de um outro espaço”, mas que isso não aconteceu.
Falando de [António] Sampaio da Nóvoa, a ex-coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) lamentou que o antigo candidato presidencial não tivesse avançado nesta eleição, que vai decorrer a 18 de janeiro. “Sou uma das pessoas que pensou que Sampaio da Nóvoa avançasse. Não foi o caso”, referiu, admitindo também que não teria sido candidata se Sampaio da Nóvoa tivesse avançado.
“Não escondo quem sou”
Catarina Martins foi também questionada sobre se a situação das Presidenciais poderia também ajudar à sobrevivência do Bloco, mas referiu que não tinha nada a esconder. “Não escondo quem sou, nem as responsabilidades que assumi ao longo do tempo. O que fiz bem, o que fiz mal. Acho que as pessoas conhecem-me. O país sabe aquilo que penso, como atuo. É isso que estou aqui a fazer. Qualquer outra leitura seria abusiva”, referiu.
A antiga líder bloquista disse ainda o que era importante para si era a “capacidade de unir pessoas” e “sentar pessoas para arranjar soluções: “Fiz isso toda a minha vida, é isso que quero fazer como Presidente da República”.
A eurodeputada lembrou ainda quando já atuou exatamente com outras pessoas fora do partido, exemplificando: “Eu e João Semedo estivemos com Mário Soares a juntar todas as pessoas que se uniam contra uma troika que estava a tirar salários, um Governo que atacava a Constituição da Repúblcia Portuguesa. Orgulho-me muito desse caminho. E sempre foi assim que estive na vida política. A juntar pessoas, a criar soluções”.
Depois de reforçar que não pensava candidatar-se a Belém, acrescentou que “seria terrível uma campanha em que tínhamos mais ou menos uma escolha entre a tragédia e mais do mesmo”.
Confrontada sobre a quem se referiu, Catarina Martins foi clara, associando o nome do líder do Chega, André Ventura, à tragédia, e António José Seguro e Luís Marques Mendes à segunda categoria. Estes dois últimos candidatos, defende, “fazem parte aquilo a que se conveniou chamar a um centrão político. 
“Acho que há nesse centrão político uma visão de que, face às crises, se utiliza sempre a solução mais fácil; e a solução mais fácil é cortar nos salários e serviços públicos. E essa solução é errada”, reforçou, argumentando que a resposta às crises está no respeito para quem trabalha.
“Acho que é nos momentos de crise que se mede a capacidade de inovar e dar novas respostas em política”, apontou.
Belém, “equilíbrio” e “maioria decente”
Ainda de olho em Belém, Catarina Martins defendeu que era preciso um equilíbrio em Portugal entre Belém e São Bento: “Com cenário político tão inclinado para a Direita, acho que é fundamental ter uma Presidente da República de Esquerda. Porque acho que faz parte de um equilíbrio normal das instituições democráticas em Portugal”.
A antiga líder do BE foi também confrontada sobre uma entrevista à Lusa, na qual disse: “Comigo Presidente, o Chega nunca será Governo. Porque a minha luta é uma luta pela cultura política. E é uma luta para conquistar maiorias em nome da decência e da democracia. E se este caminho for bem-sucedido, não haverá um país que dê ao Chega esse poder”.

A candidata presidencial Catarina Martins promete tentar encontrar alternativas à participação do Chega num futuro Governo, manifestando-se confiante de que “haverá sempre soluções que passem pela democracia e a decência” para formar maiorias no parlamento.
Lusa | 07:42 – 21/10/2025

Questionada sobre o respeito pela escolha dos portugueses, Catarina Martins esclareceu que nunca colocaria à frente da Constituição as suas opiniões. Quanto ao direito de um partido formar Governo se tiver maioria parlamentar, esclareceu: “Não precisa de ser de Esquerda. Basta ser decente”.
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