ONU considera impossível realizar eleições justas e livres em Myanmar
“Organizar eleições nestas condições é inconcebível”, declarou Turk em declarações à agência de notícias France-Presse (AFP).
“Como é que alguém pode afirmar que estão a ser realizadas eleições livres e justas, e como é que podem sequer ser realizadas quando regiões inteiras do país estão fora de controlo e o exército está envolvido no conflito e oprime a população há anos?”, questionou.
Em agosto passado, a junta militar no poder em Myanmar, antiga Birmânia, anunciou que as eleições legislativas seriam realizadas a partir de 28 de dezembro, uma votação denunciada por observadores internacionais e que a oposição prometeu na ocasião boicotar.
Myanmar tem estado mergulhado numa guerra civil desde que os militares derrubaram o Governo eleito e liderado de facto pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, em 01 de fevereiro de 2021, alegando fraudes eleitorais.
Em dezembro de 2022, a junta militar condenou Aung San Suu Kyi a 33 anos de prisão, num julgamento descrito por grupos de direitos humanos como uma farsa.
Grupos rebeldes anunciaram um boicote das eleições nos principais enclaves que controlam, enquanto defensores dos direitos humanos denunciaram restrições às liberdades durante a campanha em áreas controladas pela junta militar.
No mês passado, o relator especial da ONU para os direitos humanos em Myanmar, Tom Andrews, frisou que as “eleições são uma farsa, uma fraude”.
“Não se pode ter uma eleição livre e justa quando se prendem, detêm, encarceram e torturam os líderes da oposição política, quando se dissolvem dezenas de partidos políticos, (…) quando é ilegal para os jornalistas relatarem a verdade sobre a situação em Myanmar, quando é ilegal criticar a junta e, de facto, criticar estas eleições”, reforçou o representante.
Na mesma ocasião, durante uma conferência de imprensa na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, Andrews acusou a junta militar de aproveitar a tragédia do forte sismo que abalou o território em março deste ano, que provocou mais de 3.600 mortos.
O relator da ONU frisou que as condições humanitárias em Myanmar estão piores do que em 2024 e afirmou que a comunidade internacional falhou em responder a esta “crise invisível”.
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