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Natal é tempo de paz? Em duas freguesias de Santarém deu azo a 'guerra'


Natal é altura de paz e harmonia. O espírito de união desta época parece não ter chegado ao concelho de Benavente, em Santarém, onde nos últimos dias se vive numa verdadeira azáfama de criticas por causa da escolha do município para realizar o seu Mercado de Natal.

Acabada de chegar ao palanco, a autarca Sónia Ferreira vê-se a par com uma das suas primeiras batalhas, e tudo porque decidiu concentrar os festejos de Natal num único local. Os moradores de Samora Correia não gostaram e dizem que este é mote para pedirem independência e irem à ‘sua vida’.
Já a autarca social democrata acredita que “há falta de informação” e que o objetivo é unir. Pede ainda que se ponha fim “às manobras de usar as pessoas para colocar uma freguesia contra a outra”
Como tudo começou
Foi há cerca de uma semana que começaram a vir a público os primeiros sinais de descontentamento. A Câmara Municipal de Benavente anunciou que, ao contrário dos anos anterior, iria concentrar este ano os festejos de Natal do concelho apenas em Benavente, cidade escolhida para ser palco do famoso Mercado de Natal da região.
Ora, até agora o evento dividia-se entre Benavente e Samora Correia, tendo por isso os moradores desta última localidade ficado insatisfeitos com a decisão. Nas redes sociais proliferaram demonstrações de indignação, entre aqueles que questionam: “E as nossas crianças?”.
“Samora vive a tensão da triste notícia de que o mercado de natal, que tanto brilho dava à nossa cidade, com este novo executivo, deixa de se realizar em Samora Correia, passando exclusivamente para Benavente”, pode ler-se na página de uma moradora local. Outros, num tom mais irónico, consideram que “foram excluídos do Natal” e questionam” “será o espírito Grinch a brincar???”
Sónia Ferreira chegou a explicar a sua decisão em declarações a meios locais, alegando que se tratava de uma decisão estratégica para reduzir custos e lembrando que desta forma seria possível ter mais dias de mercado.
A decisão não convenceu os que consideram que a alegada “decisão técnica […] transforma-se num reforço das clivagens sociais e territoriais”.

Agora, Samora que ser elevada a concelho
Na sequência da decisão, e que muitos alegam ter acontecido por Sónia Ferreira ser residente em Benavente e ter demonstrado sempre ser a sua grande prioridade, os moradores de Samora decidiram unir-se na vontade de se tornaram independentes.
Se numa primeira fase, os moradores sugeriram criar o seu próprio mercado com o apoio da Junta de Freguesia, agora as coisas foram mais longe, com muitos a acharem que esta é a altura certa para Samora passar a ser concelho.
Os habitantes locais criaram por isso uma Petição Pública onde se pode ler que “a freguesia de Samora Correia foi sede de concelho entre 1300 e 1836, antes de ser integrada no município de Benavente” e que a “sua identidade local, cultural e social — “Puro Ribatejo” — permite afirmar que Samora Correia constitui uma comunidade com coesão própria”.
Defende-se, ainda, que a localidade “dispõe de infraestruturas robustas” e que a sua evolução populacional, a implantação de serviços públicos e a dinâmica social justificam o reforço da autonomia administrativa para melhor gerir os assuntos locais”. A petição conta ate ao momento com mais de duas centenas de assinaturas.
Autarca explica decisão
O assunto está a causar tanto burburinho na região que foi um dos temas em destaque na última reunião da Câmara Municipal de Benavente, esta segunda-feira. A nova presidente – eleita nas ultimas eleições autárquicas – aproveitou a ocasião para explicar a decisão, revelando que se trata de uma decisão técnica e que o intuito nunca foi o de dividir.

“No essencial todos concordam que a época de Natal merece ser celebrada em grande e num único local que consiga concentrar energia, atrações e visitantes.”, referiu, defendo que a ideia é criar “um só mercado, mas em grande” para promover a economia local. A decisão de o fazer apenas em Benavente “não é uma afronta, é um ato de responsabilidade perante circunstâncias que encontrámos”, refere, explicando que Samora Correia não possui espaços com condições que conseguissem acolher um evento desta grandeza.
“Este ano vai haver mais atrações que não cabiam de forma alguma na Praça da República em Samora Correia”, explica, lembrando que ao contrário das edições anteriores, em que eram dois fins de semana de mercado divididos entre as duas cidades, num total de seis dias, este ano “teremos 11 dias de Mercado de Natal”.
A autarca explica ainda que em apenas 10 dias de trabalho camarário este não será ainda o evento de Natal que prometera durante a sua campanha, algo que deverá acontecer apenas no próximo ano, altura em que o evento se realizará em Samora Correia. Segundo explicou, o objetivo é que o evento seja celebrado um ano em cada freguesia, o que significa que no próximo ano realiza-se em Samora, em 2027 regressa a Benavente e assim sucessivamente.
“Queremos combater divisionismos que têm sido criados ao longo dos anos. Temos quatro freguesias mas o conselho é só um e seremos tanto melhores se soubermos projetar o futuro em conjunto como um só”, atirou.
De notar que a Câmara Municipal anunciou ainda que a par deste grande evento, cada uma das freguesias do concelho terão evento próprios posteriores nas suas próprias localidades para assinalar o Natal e com o apoio das respetivas Juntas de Freguesia.
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