INTERNACIONAL

"Convicto de que é MP a dar informações". Sócrates faz queixa por devassa


José Sócrates apresentou uma queixa esta terça-feira à Procuradoria-Geral da República por devassa da vida privada. A denúncia surge após o ex-primeiro-ministro ter sido confrontado com uma câmara do Correio da Manhã ao chegar ao Aeroporto de Lisboa, vindo de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Numa carta, publicada pela CNN Portugal, Sócrates começa por dizer que ao chegar ao aeroporto o meio de comunicação estava “à sua espera” para lhe “fazer perguntas” sobre a sua vida privada, mostrando “conhecimento exato” das viagens que o ex-chefe de governo tinha feito nas semanas anteriores e o seu destino.
“Tive sempre o cuidado de cumprir as obrigações legais resultantes do termo de identidade e residência exatamente para não comunicar ao tribunal para onde viajo, sabendo justamente que tudo isso acaba nos jornais. Ainda assim, embora com todos estes cuidados da minha parte, a televisão do Correio da Manhã sabia exatamente que viagens eu havia feito e quando”, refere José Sócrates. 
O principal arguido da Operação Marquês diz ter a “forte suspeita de que esta estação recebe informações das autoridades penais com o objetivo evidente de devassar a vida dos cidadãos que são especialmente visados por essa instituição” – como é o seu caso.
E frisa: “Nada disto tem a ver com jornalismo, mas com venalidade: audiências dão dinheiro a ganhar à estação de televisão”.
Por tudo isto, “e e apesar de conhecer a indiferença do Ministério Público para como os direitos de personalidade e, mais do que isso, apesar de estar absolutamente convencido que é o próprio Ministério Público a dar estas informações (nas suas abusivas vigilâncias para saber se cumpro ou não as obrigações do TIR) – desejo apresentar queixa contra incertos pelo crime de devassa da vida privada, apontado como principais suspeitos os procuradores ligados ao Processo Marquês”.
O antigo primeiro-ministro foi confrontado pela CMTV por volta das 07h30 desta terça-feira ao chegar ao Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, vindo de Abu Dhabi.
Ao ser questionado pela jornalista, Sócrates pediu para não ser incomodado, acabando por deixar de falar ao perceber a insistência do meio. A certa altura, ironizou: “O que seria de nós sem o Correio da Manhã, logo pela manhã?”
José Sócrates recorde-se responde por 22 crimes no âmbito da Operação Marquês: três de corrupção, 13 de branqueamento de capitais e seis de fraude fiscal qualificada.
O processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.
O julgamento decorre desde o dia 3 de julho no Tribunal Central Criminal de Lisboa e foi interrompido até, pelo menos, 4 de dezembro para que José Sócrates possa nomear um novo advogado.
Note-se que os crimes de corrupção ativa e passiva associados correm o risco de prescrever durante o primeiro semestre de 2026. Ainda faltam ouvir mais de uma centena de testemunhas no processo.

Os crimes de corrupção imputados ao antigo primeiro-ministro José Sócrates e outros três arguidos pelo financiamento da Caixa Geral de Depósitos (CGD) a Vale do Lobo poderão prescrever no primeiro semestre de 2026, informou hoje o tribunal.
Lusa | 18:47 – 11/11/2025

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