INTERNACIONAL

Companhias cancelam voos para a Venezuela (TAP incluída). Qual o perigo?


Até ao momento, são sete as companhias aéreas que já anunciaram o cancelamento de voos para a Venezuela, incluindo a portuguesa TAP. Afinal, o que está a motivar estas decisões?  A instabilidade na região.

No domingo, recorde-se, a Turkish Airlines cancelou os seus voos previstos para a Venezuela entre segunda e sexta-feira, juntando-se assim a outras seis companhias aéreas: TAP (Portugal), Gol (Brasil), Avianca (Colômbia), Latam (Chile) e Caribbean Airlines (Trinidad e Tobago-Jamaica).
O que está em causa? Qual é o perigo?
A medida da Turkish Airlines foi tomada depois do aviso da Administração Federal de Aviação dos EUA para “extremar a precaução” ao sobrevoar o território venezuelano e o sul do Caribe devido a “uma situação potencialmente perigosa na região”.
Assim, o cancelamento dos voos coincide com o envio de tropas militares por Washington para o mar do Caribe, que o presidente norte-americano, Donald Trump, afirma ser para combater o narcotráfico, mas que o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, interpreta como uma “ameaça de invasão” e tentativa de promover uma “mudança de regime” na Venezuela.
A Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA emitiu sábado um aviso aos operadores de voos comerciais aconselhando-os a “extremar a precaução” ao sobrevoarem a Venezuela e o sul das Caraíbas, devido ao que considera “uma situação potencialmente perigosa na região”.
“Recomenda-se aos operadores que extremem a prudência ao operar na região de informação de voo de Maiquetía [correspondente ao espaço aéreo controlado pela Venezuela, que inclui também parte das Caraíbas sul e oriental] a todas as altitudes, devido ao deterioramento da situação de segurança e ao aumento da atividade militar na Venezuela ou seus arredores”, refere a FAA no comunicado.
Desde agosto que Washington mantém uma importante presença militar na zona, com destaque para meia dúzia de navios de guerra, oficialmente para combater o tráfico de droga com destino aos Estados Unidos.
A explicação da TAP
A TAP já tinha cancelado os voos TP170 de sábado e da próxima terça-feira para a Venezuela, na sequência da informação das autoridades aeronáuticas dos Estados Unidos sobre a situação de segurança no espaço aéreo do país, indicou a empresa.

A TAP cancelou os voos TP170 de hoje e da próxima terça-feira para a Venezuela, na sequência da informação das autoridades aeronáuticas dos Estados Unidos sobre a situação de segurança no espaço aéreo do país, indicou a empresa.
Lusa | 21:26 – 22/11/2025

Numa nota enviada à agência Lusa, a TAP explica que a decisão “decorre de informação emitida pelas autoridades aeronáuticas dos Estados Unidos da América, que indica não estarem garantidas as condições de segurança no espaço aéreo venezuelano, nomeadamente na zona de informação de voo Maquetía”.
Adianta que “todos os passageiros foram informados do cancelamento e de que poderão, caso entendam, proceder ao pedido de reembolso”, lamentando “o inconveniente causado” por uma decisão que “visa garantir a segurança dos passageiros e tripulação”.
Natal preocupa
A suspensão dos voos da TAP e outras companhias aéreas para a Venezuela causou surpresa em vários passageiros, alguns dos quais expressaram à Lusa temer eventuais constrangimentos durante a quadra do Natal.
“Tudo parece indicar que a suspensão tem a ver com questões de segurança devido às operações militares norte-americanas para combater o narcotráfico nas Caraíbas. Esperamos que esta situação evolua rapidamente porque estamos a apenas um mês do Natal e tememos constrangimentos”, explicou um passageiro à agência Lusa.
Com viagem prevista para 18 de dezembro, Juan Gonçalves, disse ainda ter dois conhecidos que viram canceladas as suas viagens para Lisboa, estando na expectativa sobre o que fará a TAP. “Por mais que seja compreensível e justificável, um cancelamento causa incomodidade e já estamos perto do Natal”, frisou.
A Lusa contactou telefonicamente duas pessoas cujos voos foram cancelados, que se recusaram a fazer comentários, insistindo que queriam ser encaminhados para os próximos voos. “Comprei a passagem há mais de seis meses, agora o que quero é viajar, ir ver a família”, frisou um dos afetados.
Vários agentes de viagens, que pediram para não serem identificados, explicaram que as pessoas entendem a “gravidade da situação” em particular “a necessidade de garantir a segurança da tripulação e dos passageiros”.
Leia Também: Já são sete. Turkish Airlines (também) suspende voos para a Venezuela

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