INTERNACIONAL

Bombeiros da Moita são notícia lá fora: Partos? "Recorde que não quero"


Os Bombeiros Voluntários do Concelho da Moita são já notícia no país vizinho, Espanha. E porquê? Pelos 15 partos que, este ano, já fizeram em ambulâncias enquanto se dirigem para o hospital.

A notícia é do jornal espanhol El País que escreve: “Os bombeiros da cidade portuguesa da Moita tornam-se ‘matrones’: 15 partos num ano”. 
O El País falou com os bombeiros Paulo Medina e Hugo Rodrigues que dizem que se tornaram bombeiros para “apagar fogos”. No entanto, o que fazem cada vez com mais frequência são partos.
“A vida não espera”, refere o comandante dos bombeiros, Pedro Ferreira. Mas, apesar de partilharem as fotos dos momentos especiais nas redes sociais, o comandante deixa uma pergunta no ar: O que acontecerá no dia em que um parto corra mal e não haja nada para celebrar?
“No dia em que acontecer alguma coisa má e um bebé morrer, vão cair-nos em cima. Nesse dia, não quero os meus homens estejam nas televisões, estarei eu para dar a cara. Nunca um corpo de bombeiros fez tantos partos na história de Portugal. Este ano, já são 15, mas é um recorde que não quero. O sítio para um bebé nascer é na maternidade”, afirmou.
O jornal espanhol contextualiza a sua notícia com o fecho das urgências de ginecologia e obstetrícia, dando conta que há hospitais que o fazem com frequência. 
Explica ainda que apesar de as grávidas da Moita terem um hospital a 10 minutos, no Barreiro, a maternidade está fechada a cada dois por três fins de semana.
“Fecha quase todos os fins de semana, às vezes vários dias”, disse o comandante, acrescentando que chegou a receber uma notificação do hospital de Almada, às 03h05, “a informar que o bloco de partos fechava às 08h30”. “Isto é arcaico”.
O último bebé que nasceu numa ambulância dos bombeiros da Moita foi no passado dia 6 de outubro, numa área de serviço da autoestrada A33. A ambulância dirigia-se para o hospital de Setúbal, mas não chegou a tempo.

Bombeiros da Moita voltam a fazer um parto numa ambulância, desta vez, sem o apoio de uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER). Tanto a mãe, Maria, como a bebé, Nariel, encontram-se bem.
Tomásia Sousa com Lusa | 12:29 – 06/10/2025

“Há uma mistura de emoções, é um acontecimento muito especial e marcante poder ajudar alguém a vir ao mundo”, contou o bombeiro Hugo Rodrigues.
No entanto, um dos partos podia ter corrido mal: “Chegámos e encontrámos a mulher no chão, com o marido desmaiado ao lado. Estavam à porta de casa e chovia. Saiu um bebé e, de repente, havia outro e ninguém sabia. Estava em paragem cardiorrespiratória e, felizmente, conseguimos reverter. Foi o mais complicado dos sete ou oito partos que fiz este ano”.
Já o comandante Ferreira dá ainda conta de um outro caso: “Um dos casos deste ano foi o de uma mulher natural da Guiné que nos chamou por causa de uma dor abdominal. Quando chegamos, percebemos que era uma gravidez que ela ignorava. Não havia nenhuma ecografia que nos ajudasse a ver a posição do bebé”.
O meio espanhol escreve ainda que os bombeiros recebem uma melhor formação do que salário, dando conta de que carecem do subsídio de risco pelo combate aos incêndios, mas têm formações em emergência médica. Refere ainda que entre o material que está disponível nas ambulâncias, têm o essencial para fazer um parto. E, no caso dos bombeiros da Moita, esse material está a ser substituído mais rápido do que em qualquer parte do país.
O aumento dos partos em ambulâncias simboliza uma degradação da saúde pública, uma vez que, num ano, já ocorreram 35 episódios, refere o El País, notando ainda que a falta de profissionais de saúde é um problema que se tem arrastado desde o governo socialista de António Costa e que continua com o atual primeiro-ministro, Luís Montenegro. 
Escreve também que “dia sim, dia sim” é pedida a demissão da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que têm enfrentado várias críticas após a morte de uma grávida de 36 anos e, posteriormente, a morte da bebé.
Partos em ambulâncias? “Claro que me incomoda”, mas confiança na ministra é “total”
De recordar que o primeiro-ministro admitiu, na sexta-feira, incómodo com os recentes casos de partos em ambulâncias, mas frisou que mantém total confiança na ministra da Saúde.
“Claro que me incomoda muito que haja partos em ambulâncias ou mesmo na via pública, mas eu já o pedi e estou à espera de fazer esse levantamento de uma forma sistematizada para percebermos porque que é que isso acontece”, disse aos jornalistas Luís Montenegro, à margem de uma visita ao hospital Beneficente Portuguesa do Pará.
Questionado sobre se mantinha a confiança política na ministra da Saúde, Ana Paula Martins, Luís Montenegro respondeu: “Totalmente, totalmente, na Ministra da Saúde e em todos os membros do Governo. Não há nenhum membro do Governo que possa estar no Governo sem ter a minha total confiança”.

O primeiro-ministro admitiu hoje incómodo com os recentes casos de partos em ambulâncias, mas frisou que mantém total confiança na ministra da Saúde.
Lusa | 01:34 – 08/11/2025

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