ECONOMIA

Plataforma impulsiona negócios liderados por mulheres

187A empresária moçambicana Isabel Mandofa criou a plataforma “Women Workplace”, desenvolvida com recurso à Inteligência Artificial (IA), com o objectivo de apoiar mulheres na gestão, controlo do stock e na expansão dos seus negócios.A iniciativa, ligada à empresa Tropicalisa, pretende tornar a gestão empresarial mais acessível, permitindo que as empreendedoras compreendam melhor os números dos seus negócios, identifiquem oportunidades de melhoria e tomem decisões com base em informações concretas.A ideia nasceu da própria experiência de Isabel Mandofa enquanto empresária, que, ao longo dos anos, enfrentou dificuldades relacionadas com o desconhecimento de procedimentos administrativos e fiscais, bem como com a gestão financeira e comercial.Entre os problemas identificados estão as multas decorrentes do desconhecimento de obrigações legais, a dificuldade em perceber onde está o dinheiro gerado pelas vendas e a falta de estratégias adequadas para gerir os produtos em stock e promover a sua comercialização.“Existem muitos desafios que o próprio empreendedorismo traz e para os quais não estamos preparados”, explica a empresária, ao justificar a necessidade de criar uma solução que ajude outras mulheres a evitar erros e a desenvolver negócios sustentáveis.A “Women Workplace” integra funcionalidades destinadas a diferentes áreas da gestão de um negócio. Entre elas estão o controlo de receitas e despesas, a gestão de stock, a análise de resultados financeiros e a orientação de estratégias de marketing, de acordo com os produtos disponíveis e as necessidades do mercado.A plataforma permite registar vendas e despesas, gerando informações que ajudam a perceber se o negócio está a ter lucro, qual é a sua situação financeira e onde poderão existir oportunidades de melhoria. A proposta é substituir parte dos registos manuais, frequentemente dispersos em papéis e documentos, por um sistema centralizado, capaz de produzir relatórios e facilitar a análise do desempenho empresarial.Um dos principais diferenciais da ferramenta é a integração de uma mentora digital baseada em inteligência artificial. Além de responder às dúvidas das utilizadoras, a IA poderá analisar as informações introduzidas na plataforma e apresentar recomendações sobre posicionamento comercial, investimentos, marketing e estratégias de crescimento.Na prática, a solução procura transformar dados que muitas empreendedoras têm dificuldade em interpretar em informações úteis para a tomada de decisões. A intenção é poupar tempo, reduzir falhas de gestão e permitir que as empresárias se concentrem no desenvolvimento dos seus produtos e na conquista de novos mercados.A escolha de direccionar a plataforma para as mulheres está relacionada com os obstáculos que, segundo Isabel Mandofa, continuam a limitar a participação feminina no mundo empresarial. A empresária aponta diferenças no acesso a oportunidades, dificuldades na obtenção de crédito e preconceitos relacionados com a maternidade como alguns dos factores que podem colocar as mulheres em desvantagem.Para a responsável, apoiar o empreendedorismo feminino significa mais do que ajudar uma empresária a manter a sua actividade: implica criar condições para que mais mulheres possam competir, crescer e conquistar espaço em sectores tradicionalmente dominados por outros intervenientes.“Uma mulher, quando sobe, tem que levantar outras mulheres também”, é a ideia que orienta a visão da empresária sobre a importância de partilhar oportunidades e contribuir para o crescimento colectivo.Apesar do impacto directo na gestão das empresas, Isabel acredita que a iniciativa poderá contribuir para fortalecer a produção nacional e melhorar a competitividade das marcas moçambicanas.A empresária considera que muitos produtos locais, apesar de apresentarem qualidade, enfrentam dificuldades de posicionamento, apresentação, rotulagem e acesso aos canais de distribuição. Estas limitações podem reduzir a sua capacidade de competir com produtos importados, mesmo quando existe potencial para responder à procura do mercado nacional.“A ambição é que, nos próximos dois anos, os produtos moçambicanos conquistem uma presença significativamente maior nas prateleiras dos supermercados. A ideia é que cerca de 50 por cento dos produtos disponíveis sejam de origem nacional, abrangendo diferentes categorias, como tomate, sumos, água e outros bens de consumo”.Para alcançar esse objectivo, defende que as pequenas empresas precisam de melhorar a qualidade, a apresentação dos produtos, a gestão e as estratégias comerciais. A expectativa é que, com ferramentas adequadas e uma gestão mais profissional, as marcas nacionais possam competir com base no seu valor e na qualidade, e não apenas no apelo ao consumo de produtos locais.Embora essa meta dependa de vários factores, incluindo o acesso ao financiamento, a capacidade produtiva, a distribuição e a procura dos consumidores, a Women Workplace pretende contribuir para preparar os pequenos negócios para responder a essas exigências.“O impacto esperado vai, por isso, além do universo feminino: o fortalecimento das empresas lideradas por mulheres poderá favorecer a criação de emprego, estimular a produção local, dinamizar a economia e ampliar a diversidade de produtos nacionais no mercado”.A “Women Workplace” está disponível através de uma plataforma online: que permite às interessadas conhecer as funcionalidades e experimentar a ferramenta durante 30 dias, utilizando dados reais ou fictícios para avaliar a sua utilidade.De acordo com as informações apresentadas por Isabel Mandofa, a modalidade inicial, denominada “Impulso”, tem um custo mensal indicado de 1.490 meticais enquanto a categoria “Liderança” se destina a negócios que procuram um acompanhamento mais intensivo e estratégias de expansão.Com a Women Workplace, Isabel Mandofa pretende transformar a experiência adquirida no seu próprio percurso empresarial numa ferramenta de apoio a outras mulheres, promovendo uma gestão mais informada e uma maior capacidade de competir no mercado.“Mais do que uma solução tecnológica, a iniciativa apresenta-se como uma aposta na capacitação das mulheres empreendedoras e no potencial das pequenas empresas para contribuir para uma economia moçambicana mais produtiva, diversificada e assente na valorização dos produtos nacionais”, defende.

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