POLÍTICA

É preciso condições para o cidadão ter orgulho de ser independente

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TEXTO DE MARIA DE LURDES COSSA

Patrício José, académico e antigo vice-ministro da Defesa Nacional

Patrício José é um homem de reconhecido mérito nos meandros académicos e políticos. É especialista em Relações Internacionais, antigo reitor do ex-Instituto Superior de Relações Internacionais, actual Universidade Joaquim Chissano, onde, por vários anos, desempenhou o papel de Professor, ajudando, assim, a formar vários quadros para o país. Também foi vice-ministro da Defesa Nacional, entre 2015 e 2020.

Actualmente reformado, Patrício José não deixou de pensar o país e propor soluções. Resultado? Fomos bater-lhe à porta. E ele, com simplicidade, abriu-nos não só a casa, como também as várias “gavetas” da sua mente. E a conversa fluiu.

A caminho dos 62 anos da criação das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e do aniversário do início da luta armada de libertação nacional, faz uma incursão pelo passado e reconhece o sacrifício da Geração de 25 de Setembro, discorre sobre o terrorismo, que já vai há quase dez anos, desde que eclodiu em 2017, fala da importância de coordenação dos vários sectores e defende que um dos elementos fundamentais para que não se percam os valores da independência é as pessoas saberem o benefício da sua existência.

“A independência não é só um acto declarativo. As pessoas foram lutar porque a qualidade de vida não estava boa, não havia oportunidades. Mas, com a independência, os cidadãos moçambicanos, sobretudo as novas gerações, têm de sentir o valor de ser independente”, diz, pausadamente, para depois acrescentar: “isto tem de dar o seu protagonismo económico, social e político, para que as pessoas possam prever um futuro melhor e também uma certa qualidade de vida… É preciso criarmos condições para que o cidadão moçambicano tenha orgulho de ser independente”.

E o caminho rumo à independência iniciou em 1964

Ei-lo, a seguir, nas linhas abaixo.

O dia 25 de Setembro marca o nascimento das forças que pegaram em armas para libertar Moçambique do colonialismo. Quase sessenta e dois anos depois, que significado tem esta data?

ue significado tem esta data? Primeiro, é preciso ter sempre em vista que o 25 de Setembro significa o início da implementação de uma decisão histórica. Depois de todos os fracassos político-diplomáticos para a conquista da independência, os moçambicanos tomaram a decisão de que a libertação do país tinha de ser pela via armada. Foi nesse dia que, com toda a coragem e riscos, assumiram que deviam lutar pelo país. Trata-se de uma geração que assumiu esses desafios e, como se recorda, essa luta durou dez anos. Alguns jovens e até pessoas adultas, directamente ligados à luta armada, foram sacrificados. Também muita população civil foi sacrificada. Esse é o maior significado. Dez anos depois, proclama-se a independência e assume-se o desafio de construir um Estado independente, que significou outros sacrifícios.

Alguns dos quais continuam até hoje…

Pois. Isto significa que aquela decisão de 25 de Setembro de libertar o país por via militar continua para as presentes gerações, não só para honrar esse sacrifício, mas sobretudo para garantir o benefício dessa independência. A independência não era uma mera proclamação. Era para criar condições para que, através de políticas públicas desenhadas por moçambicanos, surgissem oportunidades para alcançarem uma melhor qualidade de vida, como resultado do seu próprio trabalho.

Um dos desafios que pede enorme sacrifício actualmente é o terrorismo. Há quase 10 anos nos “tira sono”. Como aqui chegamos, afinal?  Leia mais…

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