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Jogos escolares: Chapo defende ligação entre escolas, clubes, federações e selecções nacionais   

O Presidente da República, Daniel Chapo, abriu este sábado, 29 de Agosto, na cidade da Maxixe, província de Inhambane, o XVI Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares, que reúne cerca de 2500 participantes provenientes de todas as províncias do país. Chapo deixou uma orientação: criar uma ponte entre escolas, clubes, federações e selecções para que os jovens encontrados nestas competições não se percam pelo caminho. Apontou o desporto escolar como espaço de descoberta de talentos, mas também de formação de uma geração assente na disciplina, integridade, responsabilidade e trabalho. Chapo defendeu uma ligação clara entre escolas, clubes, federações e selecções nacionais.   

Vieram de todas as províncias, com camisolas de cores diferentes, sotaques diferentes e a vontade comum de vencer. Quando as delegações desfilaram na cerimónia de abertura, Chapo encontrou nessa diversidade uma imagem do país que quis levar para o restante discurso: jovens separados pela geografia e pelas origens, mas reunidos no mesmo campo para competir.

“Hoje vimos desfilar diante de nossos olhos muito mais do que equipas desportivas, muito mais do que delegações provinciais. Vimos desfilar o presente e o futuro de Moçambique”, disse. O Festival junta estudantes, professores, treinadores, árbitros e restantes membros das delegações, numa edição em que estão representadas diferentes regiões, culturas e línguas do país.

A partir daí, Chapo deixou o protocolo da abertura dos jogos para falar do país. O futebol, o basquetebol, o voleibol, o andebol, o xadrez e os jogos tradicionais levaram os estudantes a Inhambane. A questão colocada pelo Presidente foi outra: o que acontece depois aos talentos descobertos nas escolas e quantos conseguem chegar aos clubes, às federações e, finalmente, às selecções nacionais?

O Presidente levou a comparação para dentro do campo. Uma equipa vive de regras e disciplina, depende do esforço individual, mas não sobrevive se cada jogador decidir jogar sozinho. É preciso aprender a ganhar e saber perder. Chapo usou essas regras elementares do desporto para falar dos desafios do país.

“O campo desportivo é uma extensão da sala de aulas”, afirmou. É ali, acrescentou, que se aprende que “ninguém vence sozinho”, que a disciplina vale mais do que o improviso, que a persistência pode superar o talento sem trabalho e que respeitar o adversário é demonstração de grandeza.

Há campeões que ainda ninguém conhece

Algures numa escola moçambicana pode estar uma criança que um dia vestirá a camisola da selecção nacional. Pode viver numa cidade ou num distrito distante dos grandes centros, encontrar um professor que reconheça o seu talento ou passar pela escola sem que ninguém repare nele. E pode chegar a um clube ou abandonar o desporto antes que alguém descubra aquilo que era capaz de fazer.

Foi nesse terreno que Chapo colocou uma das questões centrais da sua intervenção.

“Entre vós encontram-se futuros campeões nacionais, africanos e mundiais”, disse aos estudantes. Alguns, antecipou, poderão representar Moçambique nos Jogos Africanos, da Commonwealth, da CPLP, em campeonatos mundiais ou nos Jogos Olímpicos. Mas pediu-lhes que não escolham entre o desporto e a escola: “Juntem, sempre, a escola, a educação e o desporto.”

O problema começa antes das medalhas. Chapo reconheceu que o talento pode existir “em qualquer distrito”, “em qualquer escola” e “em qualquer família”, sem que isso seja suficiente para produzir um atleta. É necessário encontrá-lo, acompanhá-lo e criar-lhe condições para crescer.

Daí a definição do desporto escolar como “o primeiro viveiro dos grandes talentos nacionais” e o compromisso de construir uma ponte entre escolas, clubes, federações e selecções. A ideia é que um jovem descoberto, numa competição escolar, possa continuar a ser acompanhado e não desapareça simplesmente porque nasceu longe das estruturas capazes de desenvolver as suas capacidades.

“Cabe-nos criar as condições para que nenhum talento moçambicano permaneça escondido”, afirmou Chapo, atribuindo essa responsabilidade não apenas ao Estado, mas também à sociedade e ao sector privado.

Ao Estado reservou compromissos claros: melhorar infra-estruturas, valorizar professores de Educação Física, formar treinadores, massificar a prática desportiva e identificar talentos mais cedo. O discurso não fixou montantes, metas nem calendário para concretizar essas intenções.

Uma medalha não chega

A inclusão entrou também no discurso. Se a escola deve descobrir campeões, a oportunidade não pode ficar reservada aos que partem em melhores condições. Chapo falou das crianças com deficiência e defendeu para raparigas e rapazes as mesmas possibilidades de competir, liderar e vencer. “Uma sociedade inclusiva começa precisamente na escola”, afirmou.

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