Dentista portuguesa condenada na Irlanda por aterrorizar ex-namorada
Uma dentista portuguesa de 46 anos foi condenada a dois anos e três meses de prisão, na Irlanda, por aterrorizar a ex-namorada.
Conta o site da RTÉ que ficou provado em tribunal que Andreia Funico, como é identificada, assediou a ex durante meses, após o término do relacionamento, com perfis falsos criados nas redes sociais e em aplicações de namoro.
Devido aos perfis falsos, a vítima acabou por receber inúmeras chamadas de homens, a várias horas do dia e da noite, com interesse sexual. Alguns, batiam-lhe mesmo à porta de casa.
Andreia terá ainda criado contas falsas no Instagram, em nome da ex-namorada, para enviar material íntimo e “explícito” para familiares e amigos.
Em tribunal ficou ainda provado que a portuguesa é a responsável por um grafitti feito na casa dos pais com a inscrição: “mentirosa gay”.
Perante as evidências, Andreia acabou por se declarar culpada em tribunal, acabando por ser condenada a dois anos e três meses de prisão. Para o juiz Martin Nolan, ficou claro que a portuguesa tinha “premeditado” o crime e que era “bastante ardilo” e sabia os danos que ia provocar à vítima, que já foi polícia.
Já esta descreveu a ex-namorada como um “monstro” e revelou que por causa dela ficou com vários traumas, uma vez que as suas ações provocaram “um grande sofrimento”.
“Lidei com muitas situações perigosas na polícia e lidei com algumas das pessoas mais temidas do crime organizado na Irlanda, mas nunca senti tanto medo. A minha casa, onde eu devia sentir-me segura, tornou-se num reino de terror para mim”, admitiu.
Andreia e a vítima conheceram-se numa aplicação de namoro, em julho de 2022. Segundo as autoridades, o relacionamento tornou-se logo “bastante intenso”.
No entanto, no final desse mesmo ano, apenas alguns meses depois, o namoro acabou e a ex-polícia disse à dentista que ia passar o Natal à Austrália, com a família. Nessa altura começaram os telefonemas de inúmeros desconhecidos.
Mesmo na Austrália, o pesadelo continuou. A mulher descobriu que tinham sido criadas oito contas falsas em seu nome no Instagram e que havia amigos e familiares a segui-la e ver vídeos e fotos dela seminua, imagens estas gravadas sem o seu conhecimento, durante uma chamada de vídeo, pelo Whatsapp, com Andreia, quando ainda namoravam.
Devido ao sofrimento pelo qual estava a passar, a ex-polícia teve mesmo de prolongar a sua estadia na Austrália, para receber tratamento médico.
Entretanto, voltou à Irlanda e o caso ganhou contornos ainda mais preocupantes. Homens desconhecidos começaram a bater à sua porta para ter encontros sexuais que a mulher nunca tinha agendado.
Andreia, que dá também consultas em Portugal, acabou detida em abril de 2023, numa das viagens que fez para a Irlanda para dar consultas.
A portuguesa começou por negar o assédio, no entanto, as autoridades encontraram todas as provas no seu telemóvel. O seu número correspondia ao utilizado em, pelo menos, algumas das contas.
Em tribunal, a advogada de Defesa, Diana Stuart, argumentou que a sua cliente tinha sérios problemas de saúde mental que “continuam até hoje”, justificando que as ações da arguida foram motivadas por “medo, exasperação e um estado mental fragilizado”.
Diana Stuart disse ainda que Andreia estava arrependida e ciente da “dor cruel, injusta e indesculpável” que causou à ex-namorada.
A advogada pediu mesmo ao magistrado que não enviasse Andreia para a prisão, pois esta é a única responsável e cuidadora da mãe idosa, que está doente, em Portugal.
Andreia ter-se-á mesmo comprometido a não regressar à Irlanda, nem contactar a vítima.
Após a leitura da sentença, Diana Stuart perguntou se a sua cliente podia regressar a Portugal para ver a mãe idosa, “provavelmente pela última vez”, mas o juiz recusou o pedido.
Segundo a RTÉ, há dois anos, uma reportagem do próprio canal revelou que a dentista trabalhava há vários anos na Irlanda, em vários consultórios, sem ter o devido registo no Conselho de Odontologia do país.
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