Depois de Fernão Ferro, Albufeira. Depressão Cláudia já provocou 3 mortos
Uma mulher britânica de 85 anos morreu, no sábado, como consequência da passagem da depressão Cláudia por Albufeira, no Algarve. Pelo menos outras 28 pessoas ficaram feridas naquela região, duas das quais em estado grave. No total, o fenómeno atmosférico que tem assolado o território português nos últimos dias já provocou três mortos.
Um fenómeno extremo de vento equiparado a um tornado fez seis vítimas no Parque de Campismo de Albufeira, entre as quais dois feridos em estado grave e três feridos ligeiros, além da vítima mortal. Tratam-se de pessoas de nacionalidades portuguesa, francesa, britânica e espanhola, sendo que a maioria sofreu traumatismos e politraumatismos.
O espaço adiantou que a zona afetada pelo vento forte “permanece isolada e encerrada”, tendo o restante recinto sido desocupado, de acordo com as instruções das autoridades.
Foi criado um canal específico para os familiares e hóspedes que necessitem de informação, nomeadamente a linha com o número 00351289587630, e um email de atendimento prioritário, com o endereço [email protected]
Numa unidade hoteleira de Albufeira houve registo de 23 feridos ligeiros, quatro dos quais foram transportados para o Hospital de Faro, de acordo com o comandante distrital de operações de socorro da região.
A meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) Paula Leitão considerou que o fenómeno que se abateu sobre o Parque de Campismo de Albufeira e que provocou uma vítima mortal, na manhã deste sábado, “era nitidamente um tornado”.
Daniela Filipe | 15:11 – 15/11/2025
De um total de 28 vítimas, seis crianças entre os dois meses e os sete anos foram consideradas feridos ligeiros. Os restantes tratavam-se de 23 adultos, com idades entre os 24 e os 70 anos, adiantou Carlos Raposa, do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
O alerta para a ocorrência foi dado pelas 10h07, segundo confirmou o Notícias ao Minuto junto do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil do Algarve, tendo mobilizado 62 operacionais, acompanhados por 25 veículos.
O concelho de Silves também foi palco de um fenómeno idêntico, às 11h48, que provocou danos em estruturas e queda de árvores. Duas pessoas que ficaram desalojadas receberam auxílio por parte do Serviço Municipal de Proteção Civil.
“Sempre que há uma morte – e já tinha havido duas – não podemos deixar de lamentar”
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi o primeiro a reagir ao incidente, tendo manifestado “a sua solidariedade aos familiares da vítima mortal, fruto da passagem da depressão Cláudia”.
“O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa endereça ainda votos de rápidas melhoras aos cidadãos feridos”, lia-se na nota divulgada na página da Presidência da República.
Mais tarde, o chefe de Estado deixou uma “palavra de solidariedade” pelas vítimas mortais da depressão Claúdia que, recorde-se, são já três.
“Sabemos como no Algarve foi muito intenso o efeito desta depressão, como foi na Grande Lisboa, mas sempre que há uma morte – e já tinha havido duas – não podemos deixar de lamentar e acompanhar o sofrimento”, disse.
O responsável salientou, contudo, que “os portugueses foram muito disciplinados e muito sensatos” nos últimos dois dias, particularmente na maneira como reagiram à tempestade.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou este sábado a morte de uma mulher de 85 anos em Albufeira, Faro, após a região ser atingida por um fenómeno de vento extremo.
Carolina Pereira Soares com Lusa | 17:01 – 15/11/2025
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, recorreu à rede social X (Twitter) para manifestar “sentidas condolências à família da vítima mortal” no Parque de Campismo de Albufeira, tendo ainda elogiado o trabalho da Proteção Civil face ao mau tempo.
“Perante um fenómeno atmosférico extremo em Albufeira, a Proteção Civil reagiu com pleno empenho e a maior celeridade possível, como tem sido prática nesta semana muito exigente em termos climatéricos. Infelizmente não se evitaram consequências graves. Expresso sentidas condolências à família da vítima mortal e desejo uma recuperação rápida aos feridos”, escreveu.
Também o candidato presidencial e líder do Chega mostrou-se solidário com as famílias afetadas pelo mau tempo, em particular em Albufeira.
“Este foi um dia terrível. Tive a oportunidade, esta manhã, de solidarizar-me com todas as famílias daqueles que foram afetados no país todo por este drama do mau tempo e pela depressão que estamos a enfrentar e, em particular, à população de Albufeira”, disse André Ventura, que indicou ter recebido “a garantia de que tudo está a ser feito para dar segurança às pessoas e de que isto não prejudicará mais ainda as suas vidas e não causará outros danos superiores”.
Dois idosos foram as primeiras vítimas da depressão Cláudia
Recorde-se que um casal com mais de 80 anos morreu, na quinta-feira, depois de a sua residência ter ficado inundada devido à chuva forte que caiu durante a madrugada, em Pinhal de General, na freguesia de Fernão Ferro.
O presidente da Câmara do Seixal adiantou que a habitação foi construída numa Área Urbana de Génese Ilegal (AUGI), “clandestinamente, sem qualquer licenciamento camarário”, e está junto a uma linha de água, em declarações à agência Lusa. O responsável assegurou ainda que está em curso o processo para a construção das infraestruturas e regularização das linhas de água.
Contudo, a Associação de Proteção Civil (APROSOC) responsabilizou a Câmara do Seixal e a freguesia de Fernão Ferro pela morte dos idosos, defendendo que devem ser julgadas “por omissões grosseiras”, tendo em conta o “ordenamento do território que possibilitou a existência daquela habitação em situação de risco, aparentemente sem avaliação geotécnica e hidrológica”.
A Associação de Proteção Civil APROSOC responsabilizou hoje a Câmara do Seixal e a freguesia de Fernão Ferro pela morte de dois idosos, na quinta-feira, nas cheias no concelho, defendendo que devem ser julgadas “por omissões grosseiras”.
Lusa | 09:49 – 15/11/2025
A APROSOC apontou ainda que a junta de freguesia de Fernão Ferro se “eximiu das suas atribuições” de colaborar com o Serviço Municipal de Proteção Civil (SMPC) em ações de prevenção e avaliação de riscos e vulnerabilidades na sua área geográfica.
“Estes fatores foram, em nossa convicção, determinantes para a morte destes dois nossos concidadãos, pelo que, na defesa cívica do interesse público, se entende que tais omissões grosseiras devem ser alvo de procedimento criminal, sob pena de se eternizarem estas práticas nesta e outras autarquias”, apelou.
Os organismos municipais, por seu turno, lamentaram que, “embora as causas do sucedido ainda não tenham sido apuradas, tenhamos quem considere falar sobre as mesmas, sem qualquer sentido de responsabilidade e de rigor”.
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