Aeroporto de Nacala: O ressuscitar de um elefante branco?
Depois de cerca de 14 anos de travessia no deserto, tudo indica que o Aeroporto Internacional de Nacala, inaugurado em Dezembro de 2014 pelo então Presidente da República, Armando Guebuza, com a expectativa de se tornar um hub regional, está em vias de ressuscitar das cinzas.
O Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou, esta terça-feira, em Nacala, que, a partir da próxima terça-feira (27), aquele aeroporto internacional vai passar a receber voos da Ethiopian Airlines, permitindo que os cidadãos desta parcela do país não necessitem mais de ir a Maputo para viajarem para o resto de África e do mundo, e vice-versa.
Assim, três vezes por semana, as aeronaves daquela companhia aérea vão partir de Nacala para o mundo. “Estamos em Nacala, um ponto de convergência entre o potencial do nosso subsolo, a capacidade produtiva nacional e a conectividade entre o fornecedor e o mercado, bem como as oportunidades que se abrem para Moçambique, na região e no mundo. E este voo, a partir de terça-feira, resulta das nossas viagens para a Etiópia”, justificou Chapo.
O Aeroporto Internacional de Nacala, um dos maiores aeroportos de Moçambique, acabou por se tornar um verdadeiro elefante branco, com um nível de utilização de 4% em relação ao que se pretendia.
O Aeroporto Internacional de Nacala foi inaugurado em Dezembro de 2014 e projectado para atender uma média de 500 mil passageiros e manusear cinco mil toneladas de carga por ano. Mas, actualmente, só chegam ao aeroporto dois voos domésticos por semana.
A conversão de aeroporto militar para comercial foi feita em 23 meses pela companhia brasileira Odebrecht, com um investimento aproximado entre 125 e 200 milhões de dólares. No entanto, as receitas do aeroporto estão longe de ser suficientes para cobrir a dívida astronómica.




