NACIONAL

Custos recuperáveis: Governo e TotalEnergies em impasse

O Presidente moçambicano Daniel Chapo e o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, ainda não conseguiram chegar a um acordo para resolver as tensões profundas em torno do projecto da Mozambique LNG, operado pela petrolífera francesa na área 1 da Bacia do Rovuma, avaliado em 20 mil milhões de dólares.

Segundo escreve a Africa Intelligence, a disputa em curso centra-se nas enormes reivindicações financeiras da gigante energética francesa decorrentes da suspensão por força maior durante quatro anos, activada após o mediático ataque jihadista a vila de Palma, em Março de 2021.

A publicação avança que embora as actividades de construção tenham oficialmente recomeçado em finais de Janeiro deste ano, as negociações sobre os cinco mil milhões de dólares em custos recuperáveis permanecem completamente bloqueadas.

A TotalEnergies inicialmente reclamou até cinco mil milhões de dólares em despesas preliminares incorridas enquanto o projecto estava suspenso devido à insegurança em Cabo Delgado. No entanto, uma auditoria independente realizada pela consultora britânica Bayphase descobriu uma lacuna enorme, validando apenas cerca de três mil milhões de dólares em despesas documentadas. 

A TotalEnergies exigiu igualmente uma extensão do contracto de 10 anos para compensar a paragem operacional. O governo moçambicano rejeitou totalmente este pedido, afirmando que qualquer extensão vai corresponder estritamente ao período real da paralisação, que correspondem a 4,5 anos.

Apesar do impasse, o trabalho no terreno continua. Mais de 10.000 trabalhadores estão activos em Afungi para avançar na engenharia e no desenvolvimento de infraestruturas.

A TotalEnergies mantém o seu cronograma operacional para entregar os primeiros carregamentos de gás na primeira metade de 2029.

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