LOURENÇO DO ROSÁRIO, EM ENTREVISTA EXCLUSIVA AO DOMINGO: “Nenhuma geração pode viver sem utopias”
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No contexto da luta contra a ocupação colonial, a literatura serviu em vários espaços geográficos como uma arma poderosa na construção da identidade nacional e na consciencialização da população para reivindicar os seus direitos, resgatar ou preservar os seus valores culturais e, ao mesmo tempo, expor a violência e exploração perpetrada pelo colono.
Em Moçambique, alguns nomes destacaram-se como combatentes-poetas, recorrendo à escrita e ao material bélico em prol da independência total e completa da nação.
No quadro do 25 de Setembro, comemorado na quinta-feira finda em homenagem às Forças Armadas de Defesa de Moçambique, domingo entrevistou o académico moçambicano Professor Doutor Lourenço do Rosário, que, entre várias questões, fala das origens da literatura nacionalista, da consciência do “eu” vs. “eles”, da definição de realidade histórica e simbólica na contribuição dos poetas nessa luta. A terminar, aponta que o 25 de Setembro simboliza o início de uma utopia da geração de 64. Nesta linha, questiona o que move a juventude nos dias actuais e observa que “Nenhuma geração pode viver sem utopias”.
Que avaliação pode ser feita da contribuição dos nossos combatentes-escritores no contexto da luta armada de libertação nacional do jugo colonial?
Bom, temos que começar pelas origens desse tipo de literatura, que nós chamamos de literatura de combate, literatura nacionalista. No que diz respeito aos cidadãos que começam pela pena a luta contra o sistema colonial, a questão tem que remontar a quem tenha condições intelectuais para poder começar a escrever para denunciar situações. Portanto, são cidadãos com dupla capacidade: com um sentimento anti-colonial e a formação que permita escrever.
E vai nos remeter, historicamente, ao núcleo que saiu da Casa dos Estudantes do Império e, naturalmente, a alguns grupos que começaram a ter consciência do “nós e eles”, no caso de Moçambique e Angola, sobretudo destes, mas também de Cabo Verde. Na altura, havia uma espécie de circulação de ideias dentro desta classe, deste segmento social. Em Moçambique, podemos falar também de alguma consciência de pessoas que não se envolveram directamente na luta Leia mais…












