África do Sul: Movimento March and March intensifica protestos após assassinato de líder
O movimento March and March anunciou que vai intensificar as suas marchas, todas as quintas-feiras, na sequência do assassinato do seu líder em Gauteng, Andile Mvuyelwa Somgxada, ocorrida no passado dia 9 de julho . A organização, que lidera as reivindicações contra estrangiros indocumentados, denuncia também uma vaga de ameaças de morte contra vários dos seus membros em todo o país.
Somgxada, que liderava o movimento em Greenfields, Municipio de Ekurhuleni, foi baleado à saída da sua residência no passado dia 4 de julho. Segundo o porta-voz nacional do movimento March and Maarch, Sandile Dube, Andile Somgxada foi levada de urgência para o hospital, onde acabou por falecer na quinta-feira, 9 de julho. Dube descreveu o líder local como um “sul-africano patriota, dedicado e amante da paz”.
Líderes sob ameaça de morte
O porta-voz revelou que o homicídio ocorre num contexto de crescentes intimidações a outros dirigentes da organização. Relatos indicam que o líder regional de Tshwane recebeu mensagens de aviso logo após uma marcha realizada em Mamelodi. Alertas semelhantes terão sido envidas para os coordenadores dos portestos em Umlazi (KwaZulu-Natal) e na província de Mpumalanga.
De acordo com o movimento, as ameaças provêm de redes criminosas que beneficiam da extorsão e da cobrança das chamadaas taxas de procteção a alegdos cidadãos estrangeiros indocumentados que operam negócios ilegais.
Apelo à intervenção policial
Manifestantes pedem protecção policial
Face ao clima de instabilidade, o March and March solicitou a intervenção imediata e rigorosa das forças de segurança. “Apelamos às autoridades policiais para que investiguem a fundo esta questão, pois certamente criará tensões desnecessárias em várias comunidades”, alertou Dube.
Apesar dos riscos, o grupo garantiu que manterá o calendário de protestos e reforçará a mobilização em todo o país, particularmente na província de Gauteng, onde afirma existir uma elevada concentração de actividades ilegais e forte resistência às suas acções. O movimento concluiu com um apelo aos cidadãos sul-africanos para se mobilizarem contra cartéis de droga, traficantes humanos e extorsionários que operam sob a fachada de empresas de segurança.
No último domingo, a ministra da Justiça e Desenvolvimento Constitucional que igualmente preside a comissão interministerial sobre migração, Mamaloko Kubayi, reiterou que o combate a imigração ilegal é uma tarefa exclusiva do Estado. Kubayi alertou os grupos radicais anti-imigração, incluindo o March and March, a se absterem de realizar rusgas nas casas e nas empresas alegadamente á procura de imigrantes ilegais.
O Governo sul-africano diz que já deteve 350 pessoas implicadas em 200 casos de intimidação e violência no contexto das manifestações anti-imigração que acontecem na África do Sul. Até ao momento já forram repatriados ou deportados mais de 53 mil estrangeiros, incluindo cerca de 1400 moçambicanos. (x)
Por: Eduardo Figurão, RM África do Sul












