EM GAZA: Mulher continua a ser principal vítima de violência
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TEXTO DE PÉRCIA MACHUZA
Na província de Gaza, as mulheres continuam a ser as principais vítimas da violência baseada no género (VBG), situação que resulta da persistência de práticas sócio-culturais e que estão a contribuir para perpetuar as desigualdades entre os homens e as mulheres.
Com efeito, segundo dados partilhados esta semana, pela representante da governadora de Gaza, nas cerimônias de comemorações do dia internacional da mulher, Lúcia Matimele, durante o ano passado, 881 mulheres foram vítimas de violência baseada no género.
Apesar do número não ser menos expressivo, os homens também não escaparam da situação, com registo de 93 casos, seguido de idosos, com 73 casos e crianças, com 61 episódios registados.
Face à situação, Matimele apelou às organizações comunitárias de base e parceiros de cooperação para que reforcem as acções de sensibilização e prevenção de VBG.”Devemos estar cientes de que os resultados das acções de sensibilização e prevenção da violência não são imediatos, não se manifestam no momento da intervenção, mas exigem tempo, continuidade e persistência para produzir mudanças reais e sustentáveis”- observou Matimele.
Reconheceu ainda que as recentes cheias e inundações, que afectaram a província de Gaza, deixaram luto em muitas famílias, aumentaram a vulnerabilidade social e destruíram vias de acesso, dificultando a circulação de pessoas e bens, situação que agravou as condições de vida das pessoas, sobretudo aquelas com deficiência, as mulheres, crianças e idosos.
“São grupos que quando estamos em situações de crise, enfrentam maiores riscos de exclusão, violência, insegurança alimentar e abandono escolar, por isso são necessárias políticas públicas sensíveis ao género e de respostas humanitárias inclusivas e coordenadas”-disse Matimele.
Em consequência desta situação, cerca de 67.921 pessoas encontram-se em condição de extrema vulnerabilidade, entre elas crianças, raparigas, mulheres, na sua maioria viúvas, idosos, doentes crónicos, mulheres lactantes e grávidas.
“Estes números evidenciam o impacto profundamente desigual das calamidades, que recaem com maior intensidade sobre aqueles que já se encontram em situação de fragilidade social, exigindo de todos nós uma resposta solidária, célere e devidamente articulada”, apelou Matimele.












